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Gestão Eclesial – Novas Experiências Administrativas

Aprenda novas ferramentas de organização para dinamizar a administração paroquial

ImagemTodo pastor atento percebe a inconformidade da vida dos paroquianos com a disponibilidade dos serviços oferecidos pela paróquia (grande maioria): são horários de atendimento inadequados às pessoas, secretarias distanciadas das comunidades, ausência de estruturas que favoreçam a comunhão eclesial, etc. Foi em virtude destes e de outros aspectos, que, a 51ª Assembleia Geral da CNBB teve por principal tema “Comunidades de Comunidades: uma nova paróquia”.

Não temos, aqui, espaço suficiente para apresentar os caminhos históricos que a instituição paróquia percorreu até o presente. Mas, podemos constatar com facilidade que a maior parte das paróquias possui estruturas que não mais respondem à dinâmica da vida das pessoas e dos espaços urbanos, que sofrem com um crescimento desorganizado, a concentração excessiva de gente e com dificuldades de mobilidade urbana. Não perceber é cultivar uma espécie de miopia pastoral. Talvez por isto, sejamos advertidos pelas atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) ao nos dizerem que “quando a realidade se transforma, devem, igualmente, se transformar os caminhos pelos quais passa a ação evangelizadora” (p. 31).

O Documento de Aparecida é claro: “a renovação da paróquia exige atitudes novas dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço dela” (p. 201). E, não nos enganemos, em se falando da paróquia, a mudança de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária (n.370) passa, também, pela coragem de mudar as suas estruturas administrativas. Por conta disto, apresentamos duas ferramentas de organização administrativa paroquial, uma voltada para as comunidades e outra às pastorais, a saber, a descentralização do atendimento da secretaria, concebendo a paróquia a partir de novas centralidades[1] e a segunda, uma estrutura de trabalho colaborativo entre os grupos, denominada de “coworking pastoral[2].

 

NOVAS CENTRALIDADES PAROQUIAIS

Como é sabido, a secretaria não pode ser entendida, apenas, como um lugar burocrático da vida da paróquia. A secretaria paroquial é um lugar de vivência da fé, animação pastoral e fomento das relações dentro da comunidade cristã. Para uma melhor compreensão, podemos fazer uma distinção do trabalho da secretaria em atendimento administrativo (funcionários, finanças, patrimônio, etc) e atendimento pastoral (acolhida, informações gerais, sacramentos, etc). Poderíamos ainda pensar outras distinções, mas por hora, nos limitaremos a estes dois aspectos. Tanto para uma quanto para outra dimensão, aquele que ocupa a função de secretário(a) nunca deverá se limitar à operacionalização de um escritório, mas aproveitar deste lugar privilegiado para anunciar o Cristo, promover as atividades da paróquia, ajudar as pessoas a dar passos mais concretos na vida cristã e fomentar a comunhão eclesial.

Embora seja fundamental para o entendimento da proposta, isto não torna a secretaria mais eficaz nas paróquias que reúnem diversos bairros em sua circunscrição. Por conta disso, propomos que a estrutura paroquial seja entendida a partir de novas centralidades e que nestas novas centralidades, existam secretarias paroquiais com autonomia limitada, além do centro administrativo financeiro, que normalmente, situa-se na comunidade matriz. De modo que, a partir destas estruturas consigamos criar lugares de animação pastoral e missão permanentes, e aproximar os serviços dos nossos fiéis.

As secretarias paroquiais com autonomia limitada, instaladas em pontos estratégicos, poderão permitir a condução de processos matrimoniais, agendamento dos sacramentos e intenções, transferência de batismo e outros sacramentos, informações gerais, despacho de certidões, curso de pais e padrinhos, suporte para a evangelização e formação, atendimento do padre, expansão do trabalho social da paróquia e recebimento do dízimo. Enfim, a disponibilidade desta ferramenta pode transformar a paróquia, comunidade de comunidades, em um lugar de missão permanente, a partir destas unidades de atendimento e funcionários qualificados.

 

COWORKING PASTORAL

O segundo ponto a que nos propomos, convida à criação de uma estrutura administrativa que favoreça um trabalho colaborativo entre os nossos grupos[3]. Para tanto, reunimos o conceito empresarial de coworking aos esforços de realização do Reino de Deus nas realidades específicas, a que chamamos pastorais.

Mas, o que significa este termo? O coworking significa trabalho colaborativo, e surgiu nos Estados Unidos, em 2005, quando o engenheiro Brad Neuberg resolveu montar uma comunidade de trabalho com os seus amigos (Você S\A, 2011, p. 39). Dessa iniciativa, surgiu um escritório compartilhado que minimizava gastos, livrava do isolamento e possibilitava a troca de informações. Segundo Castro Alves, fundador da Comunidade Coworking Brasil “o coworking é mais informal, mais focado no conceito de comunidade, com pessoas trabalhando em conjunto, se ajudando” (A TARDE, 2011, p. 5).

O coworking pastoral é a proposta de um ambiente de trabalho eclesial. Constitui um espaço físico que recolhe os esforços empregados na construção do Reino, em suas realidades mais particulares (juventude, pessoa idosa, família, etc). Esta proposta necessita de um espaço físico com estações de trabalho, computadores, armários para cada grupo e horários de trabalho comum que fomentem o encontro dos agentes de pastoral. Com isso, a paróquia possibilitará que cada pastoral tenha o seu “escritório” em um ambiente colaborativo, um espaço de comunhão eclesial. Além de oferecer uma estrutura administrativa para o planejamento de cada grupo, o coworking pastoral pode favorecer, neste mesmo espaço físico, a socialização das ações, provocando o surgimento de atividades pastorais compartilhadas.

O coworking pastoral pode ainda trazer outros benefícios:

  1. A inclusão dos agentes de pastoral nos diversos meios de comunicação;
  2. A diminuição dos gastos pessoais dos colaboradores;
  3. Sala de reunião para a realização dos trabalhos;
  4. A integração das diversas pastorais, em uma troca de experiências entre as realidades paroquiais.

 

CONCLUSÃO

Em suma, é preciso que as paróquias se adequem às novas formas de organização da cidade e tornem a sua presença mais qualificada na vida dos fiéis, mesmo que seja preciso “abandonar as estruturas obsoletas, que não favorecem a transmissão da fé” (DAp, 365). De modo que, instalar um coworking pastoral e suscitar novas centralidades de irradiação pastoral, a partir de secretarias com autonomia limitada, são formas de aumentar a presença da Igreja nos lugares de maior população e necessidade, bem como, amenizar a urgência da criação de novas paróquias, enquanto não possuímos estruturas e sacerdotes suficientes.

 

Pe. Danilo Pinto cursa MBA em Gestão Empresarial, e atua como administrador da Paróquia Sagrada Família (Arquidiocese de Salvador). Leciona e compõe o Núcleo de Pastoral da Universidade Católica do Salvador. Pesquisa História da Igreja no Brasil, e é autor dos livros “Dom Avelar: Um Bispo do Brasil Nordeste” (Edições CNBB) e “Pouso dos Cristãos: Uma Freguesia na Bahia Colonial” (Editora Vento Leste).

Blog: www.danilopinto.wordpress.com

Contato: pedanilopinto@yahoo.com.br


[1] Este projeto está em fase de implantação na Paróquia Sagrada Família, da Arquidiocese Primaz de São Salvador, da qual este autor é Administrador Paroquial.

[2] Esta proposta foi elaborada por este autor para a PASCOM da mesma arquidiocese e, aqui, adaptado à estrutura paroquial.

[3] Tomamos as pastorais como exemplo.

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