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Gestão Eclesial – Entenda como é a gestão de processos em sua instituição

Edição 41 – Março | Abril 2013

Edição 41 – Março | Abril 2013

Toda gestão implica em coordenar processos. Mas, processos, que processos?  Todo processo é um conjunto de ações que possibilita o alcance de um resultado. Por sua vez, a gestão de processos é a coordenação dos procedimentos que encaminham as ações para determinado fim. Contudo, é preciso chamar atenção para um aspecto, e, é preciso dizê-lo, imediatamente: o fato de existirem procedimentos para a realização de um projeto, não quer dizer que eles sejam coordenados para uma finalidade.

Constantemente, gestores dos mais diversos empreendimentos pastorais se deparam com a baixa produtividade e a pouca eficácia dos seus colaboradores, com o não cumprimento das metas estabelecidas, o prevalecimento de interesses pessoais em detrimento da missão da organização religiosa, a falta de flexibilidade para as mudanças que as necessidades exigem, as tomadas de decisão distanciadas dos valores da instituição e a falta de sustentabilidade dos projetos. Aceite-se ou não, todos esses aspectos são sinais da ausência de gestão de processos. Entretanto, quais as vantagens em adotar esse modelo de gestão para as organizações religiosas? E, tomando esta decisão, como mobilizar pessoas dentro deste estilo de governança?

Montando Estratégias

Para desenvolver a habilidade de coordenar procedimentos é preciso, antes e primeiramente, ter diante de si a missão e a visão da instituição, uma vez que essas dimensões irão orientar os processos organizacionais. São a missão e a visão da instituição que oferecerão a metodologia e a perspectiva das estratégias necessárias para alcançar com mais facilidade os resultados esperados. Sendo assim, é preciso identificar e analisar os procedimentos montados para cumprir o planejado, desenhando uma espécie de mapa de trabalho.

Sintetizado o processo, é preciso elaborar mecanismos de feedback, a fim de que sejam detectados os desvios inesperados, faça-se a correção de rumo, e, caso necessário, mude-se o processo para obter o resultado almejado. Postura que torna o trabalho constantemente adaptativo. Ainda assim, é indispensável que existam formas de medir o desempenho dos colaboradores do projeto e avaliá-lo, sempre.

Ferramenta importante é a utilização de tecnologias para o acompanhamento dos procedimentos.  Um administrador paroquial que possui muitas atribuições, por exemplo, pode acompanhar o andamento dos trabalhos, na secretaria paroquial, por meio dos atuais sistemas de computação de nuvem (Dropbox, Google Drive e ICloud), que lhe permitem acessar as informações de casa, outra estação de trabalho ou ocasiões de viagens. Os sistemas de computação de nuvem, além de permitir acompanhar a modificação dos processos em tempo real e de diferentes lugares, possibilitam uma verdadeira convergência da inteligência, a partir dos quais um documento pode ser trabalhado simultaneamente pelo administrador, seu secretário paroquial e outros colaboradores.

Pessoas Mobilizadas

Gestão de procedimentos adotada, é preciso mobilizar as pessoas dentro de outra lógica de trabalho. Para tanto, faz-se necessário criar uma atmosfera que difunda a cultura ou o carisma da instituição. De modo que, o ambiente deve ser formado de posturas, orientações práticas, organização do espaço físico e formativo da instituição, como por exemplo, a elaboração de um Guia Pedagógico para as Casas Religiosas de Formação ou Instituições de Ensino. Note-se que tal contexto irá favorecer o alcance de resultados, na perspectiva da missão e dos valores da instituição.

O gestor de processos deve ter um olhar atencioso e pedagógico a respeito das pessoas com quem se trabalha. Falo isso, porque toda pessoa é resultado de uma soma histórica de experiências de vida e de trabalho que podem contribuir ou não no desempenho da sua função.  Um olhar pedagógico permitirá identificar pontos fortes dos colaboradores e ativá-los em vista da razão de ser (missão) da instituição religiosa.

É imprescindível incluir os envolvidos em todas ou alguma etapa de planejamento e socializar as informações do projeto. Envolver os colaboradores na construção da proposta torna-os co-responsáveis pelo trabalho e processo de execução. Além de compartilhar a responsabilidade, essa atitude favorecerá um aumento da estima e da produtividade da equipe de trabalho. Fosse pouco, será possível perceber, em longo prazo, um compromisso com o destino da instituição religiosa.

A Bússola do Gestor

É do gestor eclesial o papel de governança da organização religiosa, e deve, ele, orquestrar a coordenação dos processos. Mas, não devemos esquecer que a coordenação dos processos e a liderança de pessoas, dentro dos valores do Reino, por sua vez, é o que constitui a natureza de toda e qualquer gestão eclesial. Subtrair-se destes princípios é negar a natureza eclesial da instituição.

Pois bem, este trabalho pede do gestor um conhecimento abrangente de todas as etapas do processo, bem como uma atenção aos efeitos do cenário sobre os projetos da instituição. O gestor religioso, ou a quem ele atribui essa responsabilidade, é o responsável principal pela definição dos papéis e das responsabilidades envolvidas, escolhendo ferramentas, adotando métodos e elaborando estratégias que possam desenovelar e integrar os processos. Ter diante de si a razão de ser e o que é esperado da instituição religiosa no futuro é ter o norte de uma bússola, na gestão de processos.

Em suma, gerir procedimentos não significa, apenas, identificá-los, mas planejar com as pessoas, direcioná-las e acompanhá-las na execução, de forma permanente, em busca de um objetivo. Modalidade de trabalho que lhe possibilitará, caro gestor, corrigir a direção antes de apresentarem-se os resultados. Se bem conduzidos, os processos conseguirão agregar valor à imagem da instituição, bem como, garantir a sua manutenção e o cumprimento da sua proposta ao longo dos anos.

Danilo Pinto, Pe.

Texto publicado na Revista Paróquias e Casas Religiosas, ed. 41, março / abril 2013

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